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Palavra Andante
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Atualizado em  |  02/05/2013 10:41
Perfil
Rodrigo Espinosa Cabral
rodrigoec@gmail.com

Rodrigo Espinosa Cabral, brasileiro, vegetariano, gremista. Um pedaço de poeira cósmica que, às vezes, escreve. Palavra Andante, um passeio pelo mundo das letras.

Maio ou Menos Assim

Maio, como se sabe, é o mês das Noivas.

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Maio tem também o Dia das Mães (sim, A SOGRA dos noivos), provavelmente para equilibrar um pouco o lado emocional da família. Ou para desparafusar tudo de vez. E é também o Dia do Trabalhador (porque alguém tem que pagar toda essa conta...) :D

Assim, Maio segue firme, enlouquecendo famílias. Embora muita gente não queira ou não consiga mais casar. E embora muita gente ainda queira casar, mas em Dezembro, com direito a calor, piscina, 13º e férias para curtir a vida a dois.

A data remonta aos tempos medievais. De modo simbólico, no hemisfério norte, o 1º de Maio separava o frio (e a fome) do calor e da fartura. A partir de Maio o mundo se pintava com o colorido de flores, frutas e a abundância das colheitas. Em “Uma Breve História do Mundo”, o historiador Geoffrey Blainey conta que, na Idade Média, as pessoas faziam festa já na meia-noite do início de maio, tocando tambores, dançando e fazendo amor. Só que a Reforma religiosa deu uma podada nessa última parte.

Na cidade de Londres, cerca de 250 anos atrás, o pessoal que fazia limpeza em chaminés também decidiu que era uma boa comemorar a mudança feita pela natureza na chave (de frio para calor). No frio eles tinham muito trabalho limpando a fuligem. Nos dias quentes a vida era mais tranquila.

Aos poucos, sindicalistas e socialistas incorporaram a data símbolo de fé em tempos melhores e mais abundantes. Em 1º de Maio de 1891, na França, dez manifestantes foram mortos pela polícia enquanto reivindicavam jornada de 8 horas diárias de trabalho.No Brasil a data é feriado desde 1924.

Na Europa, maio chegava trazendo cestos e vasos cheios de alimentos. Era a primavera crescendo e o verão se formando. O longo campeonato contra a fome e o frio chegava ao fim. Quem sobrevivia era campeão. Com a barriga cheia e o olhar enternecido pela beleza do mundo, todos os bichos procuravam namorar, acasalar, reproduzir. Era a festa do título.

No Brasil, embora nossa primavera ainda esteja dormindo e vá continuar dormindo até Setembro, herdamos um pouco desta tradição. Há milhares de noivas com cabeça de noiva à solta por aí. Cada cabeça com milhões de detalhes, listas, problemas, escolhas e soluções. Orçamentos, decoração, choro, músicas, risos, convites, quebra-cabeça, cerimônias, vestidos, estresse, roupas, lembrancinhas, raiva, docinhos, chás, euforia, fotos, síncopes, vídeos, lágrimas, abraços, viagens... O ritual é grande.

Deus ajude. Amém.

Rodrigo Espinosa Cabral


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