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Palavra Andante
Ser Como a Folha Amarela
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Atualizado em  |  19/07/2013 10:32
Perfil
Rodrigo Espinosa Cabral
rodrigoec@gmail.com

Rodrigo Espinosa Cabral, brasileiro, vegetariano, gremista. Um pedaço de poeira cósmica que, às vezes, escreve. Palavra Andante, um passeio pelo mundo das letras.

Ser Como a Folha Amarela

Por onde você andou? Assim que você acorda de um sonho bom, com o sistema zerado e a mente serena... de onde será que você veio? Que constelação interior você visitou?

Com o quê ou quem você sonhou? O que faz com os restos de sonhos em suas mãos? Aos poucos você vai enchendo a mente com a ordem do dia: pia-espelho-chuveiro-sabonete-toalha-espelho-café-água-fogão-pão-geladeira-louça... E vai trocando a paz inicial do sistema pessoal por esta nossa sociedade agitada.

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Tem um sutra (um ensinamento) de Buda que diz “você é como a folha amarela”, alertando para a finitude da vida e a necessidade de valorizarmos esta experiência. Assim como as folhas que balançam verdinhas ao sol um dia irão ficar secas e amareladas e, finalmente, irão se soltar da árvore, nós também temos um tempo pré-determinado para ficar por aqui. Antes do grande voo, rumo ao desconhecido.

Ninguém precisa se desesperar. É uma lei da vida. Vai acontecer comigo, com todos que eu conheço, todos que você conhece e com você também. A poetisa americana Emily Dickinson dizia que a beleza da vida é que ela nunca mais volta. É uma frase forte, um míssil disparado agora, em direção a você. Tudo que te acontecer, de bom e de ruim, tem essa doçura de nunca mais voltar. Mesmo que aconteça de novo, vai ser diferente. Não é possível se banhar no mesmo rio duas vezes, já explicava um velho grego. “Eu pus os meus pés no riacho e acho que nunca os tirei” já cantava o baiano atemporal.

As folhas voam. Talvez toda essa vida grudada no galho, balançando pra lá e pra cá seja uma preparação para o voo. Um breve voo ou uma viagem inóspita na ventania. Sem saber ao certo aonde vai parar e que solo vai enriquecer para continuar alimentando a árvore, a vida e a Terra.

Talvez seja assim também para nós. Vamos vivendo e morrendo aos poucos. Em alguns dias vivemos mais e um dia vale por semanas. Em outros tudo passa a mil. Às vezes fica tudo tão lento e monótono, mas de uma hora pra outra pode mudar. Nesse processo nutrimos a própria vida que nos nutre o tempo todo com ar. Harmonia.

E agora, neste instante, por exemplo, temos a chance – o presente – de poder encontrar pessoas queridas, observar os outros animais do planeta e suas outras folhas. Podemos olhar as nuvens, as estrelas, plantar, tomar água e sol. Fazer um som, sorrir. Amar, dormir e sonhar. Andar por outros espaços.

Até que está bom para uma folha, né?

Rodrigo Espinosa Cabral


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