Amor & Sexo
2 anos e 35 dias com meu amor – Elemar Guaragni
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Atualizado em  |  04/05/2015 14:19
Perfil
Lidiane Cattani
cattanirabello@hotmail.com

Depois de conversas e conselhos sobre relacionamentos amorosos à amigas, Lidiane passou a publicar essas histórias e opiniões. Os artigos deram tão certo que já são três anos desse trabalho. A participação do leitor e as pautas sobre o assunto são muitas, o que garante boas histórias. A popularidade da coluna se justifica pelo fato dos leitores se identificarem com as situações e pela forma descontraída como a autora conduz as respostas. A maioria dos artigos são apimentados, o que aguça a curiosidade do leitor.

Que me perdoem todas as mulheres, mas, nesses dois anos e 35 dias que vivi com meu amor, eu fui à mulher mais amada deste mundo. O Elemar tinha um amor por mim inquestionável. Ele me amava com todas as suas forças. Ao longo da minha vida sempre pedi a Deus que colocasse no meu caminho alguém que me amasse de verdade e que eu também o amasse e Ele atendeu o meu pedido. Pena descobrir que a nossa história seria tão curta. O que me conforta é saber que ele viveu comigo momentos de muito amor e felicidade. Nós vivemos intensamente cada momento. Ele já era um rapaz muito feliz e comigo, tenho certeza, que completou sua felicidade. Nós éramos iguais, sempre com um sorriso largo no rosto. Quem nos via juntos, via o par perfeito. Tenho absoluta certeza que ele foi à metade da minha laranja, a tampa da minha panela. Nós nos completávamos. Éramos iguais, pensávamos várias coisas da mesma maneira, gostávamos das mesmas coisas, tínhamos muitas afinidades. Nos conhecíamos só no olhar. Não tínhamos frescuras, éramos iguais na simplicidade.

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Elemar, Elemar! Homem com um coração enorme. Lindo por dentro e por fora. Quem o conhecia sabia dessa grande virtude. Não era de luxo e cerimônia. Gostava do povo, das pessoas mais humildes. Por esse seu coração sem tamanho, ao longo de sua vida, muitos se aproveitaram e lhe passaram a perna. Mas, Deus é maior. Ele mesmo dizia que não precisava de muito para viver. E, graças a Deus, nunca lhe faltou nada, viveu como um rei, pois soube aproveitar as coisas boas da vida. De uma coisa ele pode se orgulhar, porque seus verdadeiros amigos, eram amigos mesmo, gostavam dele pelo que ele era, não pelo o que tinha de material, afinal, o que lhe restava era um caminhão, uma camionete, uma combi e duas motos velhas, mas, o mais importante para mim, era aquele belo sorriso no rosto, que dinheiro nenhum pode comprar. E era aquela energia positiva, aquele alto astral, aquele jeito moleque e brincalhão, que conquistava a todos e invejava aqueles que não conseguiam ser como ele. É muito triste confirmar que mesmo depois da morte ainda tem aquele que continuam valorizando o TER e não o SER. Peço a Deus que perdoe esses seres menos evoluídos.

Elemar, Elemar! Muitas foram as nossas brigas. Mas, mesmo diante delas, o nosso amor foi sempre maior. E, em todas as vezes que voltamos, só confirmamos o grande amor que existia entre a gente. Gostaria que pudesse entrar dentro do meu coração para saber que meu amor por você era verdadeiro. Que fui sua mulher com muito orgulho. Que sempre te respeitei. Que não precisava sentir ciúme e insegurança. Porque eu nunca iria te trocar por nenhum empresário rico, que era o que te afligia. Se eu estava com você é porque era você que eu amava, era você que eu queria passar o resto dos meus dias, afinal, não sou nenhuma jovenzinha querendo viver aventuras. Sinto não poder ter filhos, nessa hora eu poderia ter aqui comigo, um anjinho fruto do nosso amor. Mas, nada é por acaso, Deus me deu o dom de cuidar dos bichos e você abraçou essa causa comigo. Tinha em você o meu maior aliado e agora que você se foi, tenho que continuar a minha missão, afinal, eles precisam de mim.

Elemar, Elemar! Fazia tudo para me agradar, me fazer feliz. Meu Deus, que marido maravilhoso eu tive! Quer prova maior de amor do que aceitar os meus oito cães. Quantas vezes pegamos a camionete ou a combi e colocamos toda a galera dentro e seguimos rumo ao Sítio Pinhalzinho passar à tarde; quantas vezes levamos a Nina, a Docinho e o Tiquinho comer espetinho, no trailler; quantas vezes fomos comer X-salada e levamos os três pequenos comer um hambúrguer junto; quantas vezes íamos comer peixe do Catapan e levávamos os pequenos passear; quantas vezes levávamos eles dar uma volta de carro; quantas vezes fizemos xixo aqui em casa para dividir com nossa galerinha; quantas vezes íamos tomar sorvete e levávamos os pequenos junto; quantas vezes...

Elemar, Elemar! Que saudades de você chegando em casa do Ceasa dizendo: “Que maravilha poder deitar nesta cama e ter você do meu lado!”; que saudades de você me esquentando nessas noites frias; que saudades de assistir o Chaves com você e sempre dar risadas das mesmas histórias;  que saudades de ficar horas trabalhando em frente do computador, mas sabendo que na hora que eu fosse deitar você estava ali na cama me esperando; que saudades de olhar pela janela e ver que você estava no porão da casa da sua mãe trabalhando; que saudades de sair fazer ‘show’ (para ele ‘show’ era sair vender fruta e verdura na rua) com você nos bairros; que saudades dos passeios de bicicleta; que saudades das inúmeras vezes que saíamos para jantar ou você fazendo uma daquelas deliciosas sopas que só você sabia fazer. Que homem maravilhoso eu tinha! Que quando via algo que eu gostava logo tratava de comprar e trazer para casa; que quando ia para o Ceasa, nas lavouras ou no mercado sempre voltava com a sacola ou a caixa cheia de coisas boas para a gente comer; que saudades dos almoços de domingo, da costela macia que só você sabia fazer. Quantos planos nós tínhamos! Meu Deus! Que bom que nos últimos tempos, nós estávamos vivendo em paz e feliz. E, principalmente, que no dia do acidente nós estávamos muito felizes um com o outro.

Elemar, Elemar! Sinto não ter cuidado de você naquele dia. Quem sabe se eu estive ido junto com você nada disso teria acontecido. Eu sempre tive muito medo de perder você na estrada, afinal, seu trabalho era viajar. Quantas vezes pedi para que usasse o cinto de segurança. Eu tinha muito medo de perder você num bar, afinal, sabemos de tantas histórias de brigas e intrigas nestes locais. Eu tinha muito medo de perder você para a bebida e, infelizmente, não consegui tirar você desse vício. Quantas brigas tivemos por esses motivos. Algumas pessoas até me achavam chata de tanto que eu pegava no seu pé, mas, se fosse para livrá-lo de qualquer mal preferia continuar com o rótulo de chata. O que não queria era perder você.

Elemar, Elemar! A emoção em forma de gente. Homem sensível, carinhoso, carente. Quantas vezes te peguei no colo. Quanta saudade sentia dos filhos. Quantas lágrimas derramadas. Querido do meu amor! Adorava me agarrar, queria estar o tempo todo grudado, me enchendo de abraços e beijos. Eu sentia que ele precisava desse carinho, que ele precisava de segurança, e eu procurava dar essa segurança a ele. Prova disso, é que eu o levava a tiracolo em todos os meus compromissos profissionais, exceto, quando realmente ele não poderia estar presente. Mas, em todos os lugares, eu fazia questão da sua presença. Ele dizia que eu era o seu troféu. Adorava me ver bem arrumada. Adorava mostrar para todo mundo: “Essa é minha mulher”. Ele estava enganado quando dizia que eu era o seu troféu porque na verdade ELE é que era o meu troféu, porque sempre sonhei em ter um homem do meu lado para chamar de meu. E de fato ELE era meu marido, com o meu maior orgulho.

Elemar, Elemar! Quanto falta você me faz. Graças a Deus que tenho a minha galerinha com quem eu tenho com quem me entreter.  Nas terças-feiras, quando estava no Ceasa a Docinho, por conta própria, ia dormir no lugar do pai. Agora que ele se foi coloco ela para dormir comigo, no seu lugar. Eles me amam incondicionalmente e me enchem de amor e carinho. O Scooby? O Scooby é uma alegria só quando me vê. Meu amor, prometo que vou estar presente na vida do seu cachorro. Prometo que vou estar mais presente na vida dos seus pais, como era da sua vontade. Sempre me pedia que eu fosse ver seus pais, que eram um dos seus bens mais preciosos.

Elemar, Elemar! Meu amor, eu te amo! Descanse em paz.
Sua mulher Lidiane Cattani Rabello

MOTIVO DA VIAGEM

No dia 16 de abril um dos meus cachorros – o Xerife - foi atropelado aqui do lado de casa por um vizinho. O motorista não prestou socorro. Nós o encaminhamos para a clínica e através de radiografia foi constatado que teve fratura no fêmur. No domingo, 19 de abril, levamos o cachorro para ser operado em Lages. Na quinta-feira (23), dia do acidente, o cachorro estava muito agitado, resolvi levá-lo até a Clínica Caçador que cuida dos meus cães. O Mauri o medicou e quando eu estava saindo para levá-lo para casa o pino da cirurgia saltou para fora da pele. Ligamos para o médico e na mesma hora decidi que levaria ele naquele dia mesmo à Lages para, na manhã seguinte, o médico atendê-lo. Liguei para meu marido e combinei com ele de levarmos o Xerife para Lages. Eu estava pronta para ligar para o jornal avisando que eu não iria rodar a revista do final de semana. Mas, meu marido disse que não, disse para eu ficar terminado o meu serviço, que ele levaria o cachorro sozinho, afinal, Lages não era tão longe. Nossos planos era de ir passear em Lages no domingo e buscar o cachorro. Às 19h35 ele me ligou dizendo que tinha parado para o Xerife fazer xixi. Seu acidente, segundo o boletim de ocorrência, aconteceu às 19h44. Por voltas da 21h30 a Polícia Rodoviária Federal de Santa Cecília me liga comunicando o acidente e o falecimento do meu marido.

OBS: Com o acidente o Xerife quebrou o fêmur em mais dois lugares e teve os pinos entortados (quase em L). No domingo (26) ele passou por nova cirurgia em Lages, agora está em casa e, graças a Deus, está tendo uma boa recuperação.

INDIGNAÇÃO

Meu marido faleceu por volta das 20h do dia 23, seu corpo foi liberado para o velório apenas às 11h do dia seguinte. Eu pergunto: Cadê o plantão nesses casos? Como fica a família que pôde velar o seu ente querido apenas 6h30?
 
AGRADECIMENTO

São nessas horas difíceis que vemos como temos amigos solitários a nossa dor. Quero aproveitar essa oportunidade e agradecer a todas as pessoas que nos confortaram nesse dia tão difíceis, de muita dor, angústia e sofrimento. Não vou listar nomes, mas, todos que de alguma forma demonstraram solidariedade a mim e a família do meu marido, o nosso muito obrigada do fundo do coração! Só quem perde um ente querido sabe o que estamos passando.  

LUTO

Gostaria de pedir encarecidamente para essas pessoas de língua venenosa que estão falando inverdades a respeito da morte do meu marido que respeitem a minha dor, o meu sofrimento, o meu luto.
Eu pergunto: Quem são essas pessoas? O que sabem da nossa vida? Do que vivemos juntos? Quantas horas do dia, da semana, do mês passavam com meu marido? Era eu quem dormia e acordava com ele; era eu quem tomava café, almoçava, jantava com ele; era eu que estava do seu lado nos momentos bons e ruins. Portanto, respeitem a minha dor, porque sou eu quem mais vai sentir a sua falta, sou eu que não vou der mais ele ao meu lado, sou eu que perdi o meu companheiro de todas as horas, o meu amor, o meu marido.

FOTOS: Confiram uma galeria de fotos em homenagem ao meu marido no meu facebook


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