Toni Corrêa

A situação do Hospital Maicé


Recordo que há cerca de 45 dias andei escrevedo sobre a destinação de recursos para o Hospital Maicé. O hospital acabara de assinar um convênio com a Secretaria de Estado da Saúde, em tom solene com a presença do secretário deputado Vicente Caropreso (PSDB).

Meio que duvidei ou no mínimo coloquei interrogações sobre o pagamento do tal convênio. Temi ser agourento, quando coloquei tais dúvidas. Fiquei quase certo de que a transferência de recursos realmente aconteceria, depois de uma conversa com o prefeito Saulo Sperotto (PSDB).

Lembro que estava em viagem no dia da assinatura do convênio do Maicé e no dia seguinte assisti entrevista de Caropreso nos telejornais da NSC, relatando que a Secretaria de Estado da Saúde não sabe sequer de quanto é a dívida do Estado para com hospitais e municípios. O secretário é um homem decente e trabalhador e foi sincero quando deu tal informação respondendo a questionamento dos jornalistas.

Também há alguns dias fiquei sabendo que o Conselho Consultivo do Maicé chega a cogitar uma renúncia coletiva porque não tem recursos para manter os serviços hospitalares, com conselheiros avalizando empréstimos para quitar folha de pagamento, tudo porque os repasses antigos não vem sendo cumpridos pelo Estado e pela União. O próprio município estaria em atraso nos repasses mensais por causa de questões burocráticas.

Então, se o Estado não paga os compromissos assumidos anteriormente, dá para ter alguma esperança que honre os compromissos recém-assumidos? Gostaria muito de responder que sim, mas no momento não posso.

Pois e não é que infelizmente minhas dúvidas tinham razão de ser e gostaria muito de vir aqui escrever que estava eu errado. E farei isto, com prazer, se o Estado cumprir os compromissos assumidos.

Na semana passada, o Conselho Consultivo acompanhado do deputado Valdir Cobalchini (PMDB), andou por Brasília em busca de recursos. Respeito demais o deputado Cobalchini e o deputado federal Celso Maldaner (PMDB), dois lutadores para que o Estado e a União cumpram com seu papel, mas o que o Hospital Maicé está precisando é de recursos e não de promessas.

O tempo do hospital é diferente do tempo da Secretaria de Estado da Saúde e do Ministério da Saúde, com suas máquinas travadas e respondendo a estímulos de acordo com o andar de denúncias no Congresso Nacional.
Promessas para o futuro, OK. Mas o problema é que estas promessas não alimentam o caixa do hospital, ávido por recursos para pagar fornecedores e a folha de pagamento de seus colaboradores.

E a cada dia, leio mais notícias ruins, uma das principais delas é que o Conselho Consultivo pode decidir a qualquer momento, pela renúncia. E se ocorrer será uma pena, porque o que está ruim poderá ficar insustentável.


Toni Corrêa

Bacharel em Secretariado Executivo Bilíngue, Mestre em Ciências da Educação, atua na área da comunicação desde 1988, com longas passagens pelo rádio, jornal e portal de notícias. É também escritor, cerimonialista e palestrante. Sua coluna traz informações sobre os bastidores da política local, regional e nacional, além de economia e assuntos gerais, que interessam principalmente a Caçador e região.

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