Palavra Andante
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Atualizado em  |  20/06/2013 13:27
Perfil
Rodrigo Espinosa Cabral
rodrigoec@gmail.com

Rodrigo Espinosa Cabral, brasileiro, vegetariano, gremista. Um pedaço de poeira cósmica que, às vezes, escreve. Palavra Andante, um passeio pelo mundo das letras.

Brasil 2G  X  4G Espanha

Há muitos, talvez milhares de motivos, para o povo estar nas ruas.

Vou citar dois que talvez sejam menos óbvios. Um é a ausência de grandes compositores e de músicos que consigam captar o momento e transformá-lo em espelho. A maioria das músicas que fazem sucesso hoje tem como temas as relações amorosas e muitas vezes falam sobre elas de modo superficial.

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Ontem um rapaz do Movimento Passe Livre disse na TV Cultura “não sou líder do movimento, nosso movimento é horizontal, não tem líderes”. É uma característica desta época de redes sociais. Numa rede você é um ponto, não há centro visível e todos estão conectados. É algo que, enquanto sociedade, estamos aprendendo a entender. A seleção da Espanha já entendeu isso. É uma seleção 4G, wifi. Lá todos participam, a bola flui, é compartilhada como se fosse um post “daora”.

Antigamente havia mais líderes no mundo. Os craques, os band leaders, os políticos idolatrados. Mesmo na música brasileira havia lideranças. Durante a ditadura militar Chico, Caetano, Gil, Vandré e outros artistas captavam a atmosfera do país e a traduziam em música. A arte nos leva aonde não conseguimos ir na realidade, então a existência de certas canções aliviava o clima e fazia as pessoas cantar e trabalhar os sentimentos.

Hoje eu não sei se há músicas com este espírito. Se existem não chegaram à grande mídia, podem estar perdidas nas esquinas da internet ou repousam na memória de celulares por aí. Quem sabe nos fones de algum rapper ou skatista... Penso que fazem falta.

Talvez nesta época de mudanças seja a hora de a mídia também se reinventar e dar espaço ao novo, investindo em qualidade.

Outro motivo que pode ter contribuído com a situação atual é a falta de identificação do povo com o futebol e com a Seleção. Nos últimos anos o futebol foi elitizado ao extremo, com jogadores, técnicos e cartolas ganhando fortunas, ingressos caríssimos e jogos escondidos atrás das grades das TVs por assinatura, na modalidade “pay-per-view”.

Como se sabe, a Seleção também deixou de ser tão brasileira. Muitos jogadores são “estrangeiros”, desconhecidos da maioria. Nossa mídia ainda busca um líder, um ícone. Muitos querem que Neymar seja um messias da bola. Estamos obsoletos. Nossa Seleção é 2G e está sem sinal. Precisamos tocar a bola, compartilhar. Dentro e fora de campo.

Por exemplo: uma camiseta oficial custa 200 reais, preço inviável para o trabalhador. Os estádios que estão prontos são lindos, mas o ingresso é meio salário mínimo e um cachorro-quente saía por R$ 15,00 no amistoso da Seleção contra a França. São cifras que esmagam sonhos e desiludem. Falta inclusão.

Lógico que há outros motivos: políticos, econômicos e sociais. E há muito para pensar e sentir sobre o que está acontecendo. Mas me parece que, sem arte e sem inclusão, não vamos muito longe.

Rodrigo Espinosa Cabral


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