Amor & Sexo
Amiga, SE-PA-REI!
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Atualizado em  |  07/02/2014 19:17
Perfil
Lidiane Cattani
cattanirabello@hotmail.com

Depois de conversas e conselhos sobre relacionamentos amorosos à amigas, Lidiane passou a publicar essas histórias e opiniões. Os artigos deram tão certo que já são três anos desse trabalho. A participação do leitor e as pautas sobre o assunto são muitas, o que garante boas histórias. A popularidade da coluna se justifica pelo fato dos leitores se identificarem com as situações e pela forma descontraída como a autora conduz as respostas. A maioria dos artigos são apimentados, o que aguça a curiosidade do leitor.

“Boa noite Lidiane. Hoje é segunda-feira e estou eu aqui checando as notícias de Caçador e do mundo, afinal, a internet nos possibilita esse acesso fácil e rápido as notícias de qualquer canto do mundo, e também nos coloca em contato com qualquer pessoa, independente de onde ela esteja. É, estamos vivendo a era da comunicação e da tecnologia. A evolução, as mudanças acontecem a todo instante. Há todo momento, se quisermos, somos minados de informações de todos os gêneros, desde fatos corriqueiros de pessoas comuns, que são publicados nas redes sociais, até fatos realmente importantes, ou mesmo, sobre o capítulo da novela que vai ao ar ainda essa noite. Felizmente ou infelizmente a grande massa, a todo instante, está fazendo de sua vida um verdadeiro Big Brother Brasil. Todo mundo sabe tudo da vida de todo mundo. Bom? Ruim? Depende do ponto de vista de quem vê. Não é mesmo? Mas Lidiane, você deve estar se perguntando aonde quero chegar com esse discurso. Então vamos direto ao ponto. Bom, primeiramente porque admiro você, segundo porque admiro seu trabalho e terceiro porque estou sempre ligada a tudo que você faz, inclusive ao que escreve. E neste momento eu estava lendo alguns dos seus artigos, os quais me identifico sempre. Te acho uma mulher polêmica e ousada, porém sensato e com o dom da palavra. Você é coerente, transparente, direta e verdadeira. Não faz rodeio, não tem papas na língua e isso é um ponto a seu favor. Infelizmente vivemos num mundo de hipocrisia, onde as pessoas vivem fingindo, vivem mascarando a realidade, vivem de aparência, mas lá no fundo elas queriam sair desse invólucro e gritar para o mundo que nasceram livres e querem permanecer livres. Agora chega de rodeio, Lidiane, quero dividir um pouco da minha vida com você e com seus leitores. Menina, conheço muita gente que acompanha sua coluna. Você tem muitos fãs de carteirinha.

Bom, vamos lá, sou uma mulher com os meus cinqüenta e poucos anos. Casei muito nova, com apenas 15 anos. Fiquei casada durante 20. Tenho três filhos, dois já estão casados, têm suas famílias constituídas e moram em cidades distantes. A mais nova estuda em Curitiba. Meu ex-marido, que por sinal aprontou muito enquanto esteve casado comigo, há mais de 10 anos mora em outra cidade. Ele já tem outra família que, inclusive, temos uma excelente relação. Não guardo mais mágoas, afinal, temos três filhos que vão nos ligar para o resto da vida.

Atualmente moro sozinha, tenho minha casa, meu carro, meu trabalho e poucas, mas verdadeiras amigas íntimas. Digo íntima porque realmente são amigas de longa data, que até hoje temos contato e freqüentam a minha casa. Lidiane, estou numa fase muito boa da minha vida, nunca imaginei que nos altos dos meus cinqüenta e uns anos, sozinha, sem marido, com os filhos longe, estivesse em paz e feliz. Sim, porque estar feliz é o que realmente importa. Amiga, quer saber o motivo de tamanha felicidade? SE-PA-REI! Na verdade, me separei pela segunda vez. Depois que separei do meu primeiro marido fiquei exatos 20 anos separada. Tive alguns namorados, mas não passou disso. Eu cá no meu canto e eles lá no canto deles. Os anos foram passando e eu não dava certo com ninguém, ou melhor, nenhum relacionamento ‘vingava’. Eu achava que eu tinha algum problema. Terminava ano e entrava ano e várias conhecidas minhas subiam ao altar. E eu lá, encalhada. Queria porque queria encontrar um novo grande e verdadeiro amor. Queria sair nos lugares acompanhada, com um homem para chamar de meu. Estava cansada dos olhares de rejeição toda vez que eu e minhas amigas chegávamos há algum lugar.

Cidade pequena não é fácil para quem é ‘diferente’. A impressão que eu tinha é que estava escrito nas nossas testas: lá vêm as coroas encalhadas (pensamento dos mais jovens), ou lá vêm às pistoleiras (pensamento das mulheres comprometidas). Essa impressão me acompanhou durante anos, até o dia em que encontrei um homem especial. SIM, encontrei o amor da minha vida. Um homem charmoso, carinhoso, com carro bom, trabalho bom e ainda estava caidinho por mim. Ganhei na loteria, amiga! Como você diz sempre por aqui: ‘A maré não está para peixe’. Então, fisguei o homem e levei para minha casa. O João (nome fictício) pagava aluguel e eu falei: Pra quê pagar aluguel, amor? Juntamos as escovas de dente e passamos a dividir as despesas da casa. No começo tudo eram flores. Jantinha, momento quentes de muito sexo, amorzinho daqui, benzinho dali. Não podíamos estar perto que já nos enroscávamos. Uma loucura! Eu estava nas nuvens! Flutuando. Foi assim, exatos, dois ano e meio, depois que o fogo passou, comecei a abrir os olhos. Melhor, comecei a enxergar.

Lidi, não sou uma mulher rica, não tenho empregada, sempre fui eu quem tomou conta de tudo aqui em casa. Eu e o pai nos meus filhos batalhamos muito para dar uma boa formação e uma vida digna a nossos filhos. Foi sofrido? Foi. Mas faria tudo de novo. Lidi, nunca me intimidei com trabalho, quando eu estava casada levava casa, trabalho, marido, filhos, gato, cachorro e papagaio nas costas e quando eu fiquei sozinha também. Cansei de limpar, passar, cozinhar, cuidar do meu jardim, dos meus bichinhos, fazer os serviços de rua e ainda trabalhar fora, etc, etc e tal. Quando o João veio morar comigo eu não encontrava tempo para mais nada. O serviço passou a ser em dobro, tudo sobrava para mim, como no meu primeiro casamento, a diferença que naquela época eu ainda tinha as crianças, que tomavam muito tempo e normalmente tudo sobrava para a mãe, no caso, eu, inclusive cuidá-los de madrugada; de manhã cedinho quando queriam brincar; quando resolviam chorar sem motivo, etc e etc. Hoje vejo que nas duas relações eu que errei em todas as situações. Porque os acostumei mal. No começo, para agradar, de manhã, eu sempre era a primeira a levantar e deixar o café pronto; trabalhava até o meio-dia, passava no restaurante e pegava comida para nós dois, quando não almoçávamos fora; no começo ele me ajudava na louça para darmos ‘uma rapidinha’ depois do almoço; muitas vezes, na rua, eu tinha que resolver os meus compromissos e, claro, muitos dos dele; tocava de comprar uma roupa estava eu lá indo na loja separar algumas peças para ele provar; à noite eu chegava em casa, molhava as plantas, alimentava meus passarinhos, fazia o jantar, coloca alguns afazeres domésticos em dia, checava minha agenda, deixava outros compromissos de lado, para enfim, estar nos braços do meu amor. Afinal, agora eu tinha um marido! Não é o que a maioria das mulheres querem? É Lidi! O tempo foi passando e a ficha caiu. Eu já não tinha vida própria, de uma certa forma passei a me anular. Aquela mulher, com marido, não era mais eu. Estava me sentindo sem personalidade, sem identidade, sem vontade própria, sem iniciativa, por mais que eu tinha a minha independência financeira e mais de 50 anos na cara, o que deveriam me garantir experiência, maturidade e atitude.

Lidi, confesso, o João era fantástico na cama, eu gostava dele, mas naquela altura eu não queria só sexo, eu queria fazer outras coisas que também me davam muito prazer, como por exemplo, ler um livro; colocar em dia pendências do meu trabalho; ficar à toa, de pernas para o ar; não comer nada no jantar; jogar conversa fora com as amigas. Poxa Lidi! Ele podia me ajudar mais, inclusive com dinheiro. Quando eu passei a pedir que ele começasse a me ajudar nos afazeres domésticos, digo, arrumar a cama, já que ele levantava depois; lavar uma louça; puxar a descarga no banheiro; baixar a tampa do vaso; não deixar a roupa jogada pelo quarto; fechar as gavetas e portas; apagar a luz; fazer o almoço e o jantar de vez em quando; colocar a roupa para lavar; ele jogou na minha cara que eu não gostava mais dele, que eu não o ‘cuidava’ mais. Lidi, aquilo foi me enchendo. Nos últimos meses comecei a me esquivar de ir para a cama ‘servir’ o meu marido. Poxa! E as minhas vontades não contam? Por que tenho que transar sem vontade? Quantas vezes, quando ele tinha algum compromisso, o sexo podia ficar para depois. Por que eu tinha que estar disponível sempre? Não quero sexo hoje e ponto! Lidi, chegou um tempo que eu não conseguia olhar para a cara dele. Eu chegava em casa cansada, queria tomar um banho, comer alguma coisa e me jogar na frente da televisão para assistir a novela, mas lá estava o ‘doutor’ com o controle remoto na mão assistindo futebol, esparramado na minha cama. Pior, como no começo da relação, ele ainda queria que eu o ‘servisse’ para depois continuar a ver o futebolzinho.

Lidi do céu, aquilo começou a me dar uma gastura no estômago, que chegou um dia e eu não agüentei, coloquei o João para correr. E foi sem charme, sem glamour, sem pompas, sem dizer adeus, muito menos, volte quando quiser. Simplesmente disse: Pegue suas coisas e suma! Não suporto mais viver com você. Você está me sufocando. Lidi, aquela angústia, aquele encosto que estava encalacrado nas minhas costas sumiu. Você não faz ideia do alívio que senti. Faz seis meses que estou livre, leve e solta. Estou de alma lavada, estou me sentindo mais bonita, em paz comigo mesma, tenho mais disposição, curti muito as minhas férias, viajei para vários lugares, até um café com pão e margarina, no final do dia, está sendo muito mais saboroso. A liberdade não tem preço. Lidi, antes de conhecer o João eu era feliz e não sabia. Amiga, não quero mais dividir minha casa com ninguém. Faz uns três meses que voltei a sair com um antigo paquera. Não temos nenhum compromisso. Eu estou solteira e ele também. Nos vemos sempre que dá vontade. Mas nada de muito contato, não suporta mais a ideia de alguém me cobrando qualquer coisa. Lidiane, o que acha de tudo isso? Será que tenho algum problema por ser diferente das outras mulheres? Beijo. Te adoro, menina!” Jussara – Centro

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Oi Jussara. Obrigada por escrever. Seu e-mail abre meus artigos nesse início de ano. Estou retornando das minhas merecidas férias, cheia de inspiração. Juh, escolhi a sua história porque grande parte das mulheres vivem esse mesmo dilema. A diferença é que a grande maioria não tem coragem de chutar o balde e recomeçar uma vida nova. A grande maioria vive uma vida inteira engolindo cobras e lagartos e vivendo uma vida de infelicidade e frustração. E eu acredito que ninguém merece ser infeliz. É tão fácil viver, não sei por que as pessoas complicam tanto.

Mas amiga, o fato é que nos mulheres, por incrível que pareça vivemos sempre no prejuízo. Somos boazinhas demais. E por traz dessa fragilidade irreal, sem sermos notadas, acabamos levando o mundo nas costas. Depois ainda dizem por aí que somos o sexo frágil. Só que de frágil não temos nada, somos como leoas defendendo suas crias.

Amiga, você já notou que se o homem cria, ou melhor, assume, cuida dos filhos sozinho ele é visto como o herói.

- “Você viu? A mãe abandonou os filhos e o pai é que está criando eles”.

E as mulheres? Coitadas. Primeiro, se é mãe solteira, já é vista com maus olhos. Se tem filhos e está sozinha, os homens fogem. O que as pessoas não querem enxergar é que mesmo a mulher tendo marido é sobre suas costas que recai a responsabilidade de cuidar dos filhos. Por mais que a mulher/mãe trabalhe fora, cuide da casa, do marido, dos estudos e de tantos outros compromissos é ela o centro de tudo. Se o bebê chora de madrugada é a mãe que levanta acalmá-lo; se acorda de manhã querendo brincar é a mãe que tem que pular da cama e distrair a criança para que o marido possa dormir, sem ser ‘incomodado’; se está chorando em roda da mesa na hora do almoço é a mãe que tem que parar de comer, para controlá-lo; enfim, poderia listar infinitos momentos que sobram para a mulher/mãe. Infelizmente muitos homens fazem apenas o papel de reprodutor e provedor e o resto, que não é pouco, sobra tudo para a mulher. Daí eu lhe pergunto: qual a vantagem de se estar casada? Será que o fato de posar de mulher casada paga toda essa carga? E a sociedade, para quem queremos posar de mulher casada, será que está aí com a nossa felicidade ou está torcendo para que sejamos eternamente infeliz?

E agora amiga mais uma vez eu lhe pergunto: para onde vai o homem quando se separa? Se você pensou em pelo menos uma dessas alternativas que vou listar abaixo, acertou. Amiga, na grande maioria das vezes o homem vai para a casa da mãe, da filha, da irmã, da avó ou da tia. Os homens, num modo geral, são totalmente dependentes das mulheres. Definitivamente os homens não vivem sem mulher. Elas, ao contrário, se separam e encaram a vida de frente. Se viram nos 30 e conseguem dar conta do recado sozinhas. Mas uma vez tiro o chapéu para as mulheres. Eitá, mulheres guerreiras!

Mas Jussara, vamos a sua história. Amiga, não acho que você tenha problema. Problema teria se não tivesse coragem de enfrentar o que te incomoda. Juh, hoje os homens estão bem mais participativos, estão cada dia mais dividindo tudo com suas parceiras, inclusive as corriqueiras atividades domésticas. Tem muito homem invertendo os papéis dentro de casa. Enquanto a esposa está na rua trabalhando, eles estão em casa se mostrando excelentes pais e donos de casa. Mas, essa participação ainda é muito pequena. Muitos homens ainda acham que as mulheres devem ser submissas e devem viver como eternas Amélias. O pior que, em pleno 2014, muitas mulheres continuam dizendo amém para tudo que o marido fala. Conheço mulheres totalmente independente financeiramente, com suas carreiras consolidadas e que ainda aceitam os desmandos do marido machista. E não é apenas uma mulher, são muita e de todas as classes sociais.

Amiga, eu concordo plenamente quando diz que a felicidade é o que importa. Se algo não está mais lhe agradando o negócio é virar a página mesmo. Não entendo porque as pessoas adiam tanto essa decisão. Esperam desenvolver o sentimento de ódio para depois se separarem. Eu acho que você adiou muito sua separação. Quando viu que seu parceiro não estava se comportando do jeito que você achava o correto, deveria chegar e falar. Isso e aquilo não me agrada. Dá para mudar? Se não, então o melhor é cada um ter o seu próprio canto, assim não desgasta a relação. Passam apenas a viver os momentos bons juntos. Se sim, então vamos entrar num acordo para que o amor e o respeito não sejam prejudicados por pequenas atitudes do dia-a-dia. Sim, porque geralmente a relação se desgasta não porque grandes motivos, mas por comportamentos corriqueiros.

Sabe Jussara, devemos nos preocupar única e exclusivamente com a nossa felicidade. Têm algumas decisões na vida em que a gente precisa ser egoísta. O grande erro das pessoas é depositar do outro o compromisso de nos fazer feliz. E as pessoas esquecem que a felicidade está dentro da gente, a felicidade nasce de dentro para fora. Sempre digo: para eu ser feliz com você, primeiro eu tenho que ser feliz comigo mesma. Pense nisso!

Com carinho,
Lidiane Cattani Rabello - jornalista

 


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