Termômetro do Varejo
Avaliando o ano que passou
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Atualizado em  |  03/01/2016 22:33
Perfil
Leila Longo Romão
leilaromao@conection.com.br

Graduada em Administração, com pós-graduação em Marketing e Vendas. Iniciou sua vida profissional como bancária do antigo Bamerindus, também atuou como professora e desde 1991 é empresária do ramo de confecções, na área industrial e lojista. Foi presidente da CDL Caçador durante quatro anos e atualmente é presidente distrital da FCDL/SC. A coluna Termômetro do Varejo traz análises de pesquisas do setor, além de orientação para os empresários lojistas, comerciantes e comerciários em geral.

Final de ano é tempo de avaliação. Comparar os números realizados com o prognosticado 12 meses atrás. Checar indicadores atingidos, ultrapassados e não alcançados. É provável que essa análise seja frustrante para muitas empresas neste momento. Principalmente se projetar um 2016 ainda mais decepcionante. Jacques Meir, diretor de Conhecimento e Plataformas de Conteúdo, sugere a varejistas e empreendedores que façam um exercício disciplinado e metódico para reorganização das finanças e estratégias.

Na economia brasileira em geral, os números de 2015 são quase uma sequência de terror “B”, em que ao invés de sangue, jorram prejuízos e decepções: queda na renda, lojas fechadas, inflação em alta, recessão, desemprego, déficit público indecente, vendas menores, lucros minguantes, fluxo de caixa apertado, torniquete no crédito. Dentro de cada empresa, o departamento financeiro exorta pela redução de custos, o que, não por acaso, representou uma quase paralisia das contratações de temporários para o período de Natal. E como se não bastasse a hemorragia, ainda há a sombra de um processo de impeachment no horizonte.

É inevitável que cada empresa tenha um número robusto, consistente, sólido para exibir. Pode ser um acerto de produto – um hit de vendas – pode ser a queda no turnover dos funcionários (um senhor alívio nos custos – considerando seleção, treinamento, indenizações), ou ainda a melhoria da produtividade na reposição de estoques. Eventualmente, uma renegociação das taxas cobradas pelos adquirentes ou pelos bancos.  O que vale é identificar um número que aponte um caminho para a sua empresa seguir. Um número no qual ela possa vislumbrar um caminho estratégico, um diferencial competitivo.

Não falo aqui de cultivar falsas esperanças ou de exercitar o autoengano. Falo de se debruçar sobre cada detalhe do negócio, partindo do princípio de que tudo pode ser mensurado, medido, comparado, analisado, entendido e projetado. Mais do que nunca, indicadores sólidos podem ajudar empresas a criar estatísticas melhores – dar novas visões e novas respostas para problemas que se avolumam e para superar momentos adversos como o atual.

Um bom número representa algo que funcionou bem nesse ano em que a crise mostrou a sua cara feia. E o que funcionou bem pode muito bem ser estudado e fornecer ideias que, por sua vez, permitam estabelecer novos padrões de performance. Melhor do que isso: identificar o número que representa um padrão desejável, um valor intrínseco por si só, é uma afirmação de competência e de independência. Muitas empresas, ao analisar os números na superfície, correm para contratar consultorias esperando soluções mirabolantes, um “olhar externo” que ajude a remodelar a operação.

Má notícia: consultorias são excelentes para aprimorar justamente (e somente) o que a empresa faz bem. Elas são craques em desenhar soluções voltadas nas melhores práticas existentes. O mais do mesmo benfeito. Para isso, são especialistas em identificar o número que funciona. Mas não espere delas o insight brilhante, a inovação inesperada, a criatividade capaz de mudar negócios, a partir do que pode ser feito que ainda inexiste.

Por incrível que pareça, a fonte de soluções, boas ideias e até mesmo de inovação mais qualificada da maior parte das empresas está dentro de casa. Basta identificar o número fora da curva, escondido, talvez solitário, despercebido em meio à profusão de indicadores tingidos de vermelho gritante, quiçá apenas os do mercado e não os do seu balanço.


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